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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

O jardim

Aquele não era um simples jardim ou uma simples fachada de alguma casa onde o morador gostasse de tudo cortado milimetricamente. Não, aquele jardim era diferente, era uma confusão de cores e espécies de plantas que no conjunto formavam uma visão estranhamente bela. As rosas estavam perdidas em meio aos espinhos e lírios.
Azaléias que de cima formariam a visão do formato de um oito deitado ou o símbolo do infinito, para os mais poéticos ou matemáticos, mas seja como for, formavam esse oito salpicado no meio por verde, vermelho, azul, amarelo e tudo o que a natureza poderia gerar. 

Quando me toquei eu já estava ajoelhado olhando bem de perto todo o vão entre os caules das flores. Em meio aquele tumulto de verde havia espaços para que a luz do sol passasse e tinha algo de contemplativo em ver pequenos raios cortando toda aquela natureza. Era como se houvesse um outro mundo que necessitasse daqueles raios como nós necessitamos deles. 

E atrás daquele pequeno cultivo de flores havia um casarão. Daqueles antigos com sacadas na frente e nesse havia uma senhora sentada numa cadeira de balanço com uma expressão de quem queria conversar, sempre fui de falar e não me agüentei, na frente da escadinha que dava para a porta da frente da casa perguntei se o jardim era dela mesma e ela disse que sim. Começamos a conversar e perguntei "porque a senhora deixa tudo daquele jeito, sem nenhum tipo de corte ou seqüência?" e ela me respondeu "porque a vida não é uma seqüência. Quantas vezes você realmente conseguiu, diretamente e sem interrupções, o que desejava?" eu não havia entendido e pedi para que explicasse. Por sua vez ela explicou assim: "A vida não é uma seqüência e muito menos obedece a uma ordem. Assim como na natureza a nossa vida é preenchida de diferentes sentimentos, desejos, vontades, sonhos, cores, pessoas e etc. Não há uma seqüência. Nós acreditamos que há, mas não há. O fato de eu falar com você não é uma seqüência de você ter parado no meu jardim, se não todos iriam parar e conversar comigo, mas não é isso que acontece. Por isso acreditar que a nossa vida é uma seqüência é aceitar que não podemos mudar ou fazer coisas diferentes todos os dias". 

Eu disse para aquela senhora que havia entendido e que deveria voltar para casa, já era tarde e já devia estar em casa. Ela me deu um sorriso e eu fui embora com uma única coisa na cabeça. Podemos ser salpicados de diversas cores e jeitos, o impressionante é o resultado final de tudo isso.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011



A feira de livros organizada pela USP é uma maneira de se esquivar dos altos preços que estamos sujeitos. Livros caros se tornam acessíveis e o desconto chega até a metade do preço, deixando qualquer livro mais atraente.

Dias 14, 15 e 16 e dezembro
Horario: 9h às 21h
Escola politécnica
http://www.edusp.com.br/
Mais informações sobre as editoras: http://www.edusp.com.br/EditorasFestadoLivro2011.htm

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Elisa Lucinda - Só de sacanagem

Ana carolina - Só de sacanagem


Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar?
Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam
entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, que reservo
duramente para educar os meninos mais pobres que eu,
para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus
pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e
eu não posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança
vai ser posta à prova? Quantas vezes minha esperança
vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o
aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus
brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao
conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e
dos justos que os precederam: "Não roubarás", "Devolva
o lápis do coleguinha",
" Esse apontador não é seu, minha filhinha".
Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido
que escutar.
Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca
tinha visto falar e sobre a qual minha pobre lógica
ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao
culpado interessará.
Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do
meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear:
mais honesta ainda vou ficar.
Só de sacanagem!
Dirão: "Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo
o mundo rouba" e eu vou dizer: Não importa, será esse
o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez. Eu, meu
irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a
quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês.
Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o
escambau.
Dirão: "É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde
o primeiro homem que veio de Portugal".
Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal.
Eu repito, ouviram? IMORTAL!
Sei que não dá para mudar o começo mas, se a gente
quiser, vai dá para mudar o final!




As Sem Razões do Amor - Carlos Drummond de Andrade



Eu te amo porque te amo. 
Não precisas ser amante, 
e nem sempre sabes sê-lo. 
Eu te amo porque te amo. 
Amor é estado de graça 
e com amor não se paga. 

Amor é dado de graça, 
é semeado no vento, 
na cachoeira, no eclipse. 
Amor foge a dicionários 
e a regulamentos vários. 

Eu te amo porque não amo 
bastante ou de mais a mim. 
Porque amor não se troca, 
não se conjuga nem se ama. 
Porque amor é amor a nada, 
feliz e forte em si mesmo. 

Amor é primo da morte, 
e da morte vencedor, 
por mais que o matem (e matam) 
a cada instante de amor. 

É a gota d' água

Pesquise, reflita, tenha uma opinião e faça a sua parte.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

voltas

Todos os dias 
uma nova volta
em volta ao mundo 
que sempre dá voltas

Todos os dias 
damos voltas nos pensamentos
e, muitas vezes, voltamos
ao inicio da volta

Voltas e voltas: as cirandas da vida.
Crianças que nos dão a mão
e o tempo que se renova, 
a cada velha volta.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

O que já nos acostumamos a ver


São Paulo de todos

Praça da Sé - vista da Catedral

Adicionar legenda

Estação São Bento rumo a Sé

NOSSA HISTORIA - Igor Silveira

 
                    
Quando me falta a fala, eu escrevo
Quando as palavras desaparecem utilizo a foto
Quando a foto se perde, eu canto
Quando o canto não ultrapassa a minha alma
Uso o abraço e quando o abraço perde a força
Eu uso o beijo,
Mas quando o beijo perde sentido
A nossa história acaba.


Significados

Palavra do dia: PRECONCEITO 
Definição do Dicionário Online de Português : "Forma de pensamento na qual a pessoa chega a conclusões que entram em conflito com os fatos por tê-los prejulgado. O preconceito existe em relação a quase tudo e varia em intensidade da distorção moderada a um erro total."

Todos possuímos nossos preconceitos, eles estão presentes ao nosso redor a todo o momento. Mas preconceito não nasce com a gente, não é algo genético. Ele vem de nossos julgamentos sobre os outros, vem da mídia que nos mostra uma realidade distorcida, que favoreça os interesses dos donos dos meios de comunicação. 


O preconceito não é algo biológico. Se quiser despoluir sua mente eu sugiro que tenha aulas com um bom professor de historia e perceberá que uma grande parte dos preconceitos são gerados pela falta de conhecimento. 

Conversas de ônibus

É engraçado o que uma criança e uma mãe paciente podem gerar. Outro dia no ônibus tinha uma mãe com seus dois filhos. Estavam no ônibus que eu entrei na região Tiradentes, São Paulo-capital, e como na região do bairro da Tiradentes há muitos mendigos, uns dos filhos dessa mulher começou a fazer perguntas. Queria saber o final da conversa, mas eles desceram no ponto do shopping D. A conversa foi algo assim:
"
- Mãe, por que existem pessoas que moram na rua?
- Porque elas não tiveram muita sorte, algumas perderam tudo e não conseguem reunir tudo de volta.
- Mas mãe elas ficam na rua o tempo todo?
- Alguns sim, alguns moram em albergues e outros em casas abandonadas.
- Casas abandonadas?
- Casas que não possuem ninguém morando lá. Mas algumas casas só estão desocupadas e eles acabam invadindo.
- Isso não é mal? 
- Não é bem isso, tem pessoas que para não se perderem na loucura agarram-se a qualquer chance de permanecerem humanos...antes de ficarem como animais."

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Li Wei

Li Wei nasceu nos anos 70, em Hubei, na China. Em 2004 se mudou para Pequim, a cidade sede das olimpíadas em 2008. As obras de Li estão entre a ponte do real e do imaginário, cenas pertencentes ao mundo real, mas que não poderiam acontecer sem ajuda de diversas formas de tecnologia.






Usando a performance e a fotografia, Li Wei, cria cenas chocantes e divertidas, mas que possuem uma mensagem, uma visão do mundo.








Mais fotos no site: http://www.liweiart.com
Fotos tiradas do site: obviousmag.com



terça-feira, 1 de novembro de 2011

O cotidiano no rolo de papel higiênico

Algo tão comum e que todos, a grande maioria, possuem em suas casas pode virar arte e ganhar um novo sentido: o rolo de papel higiênico. A artista Anastassia Elias, como outros artistas dos novos tempos, mostra que criatividade e paciência podem gerar novas formas de arte dos modos  mais inusitados ou mais comuns no dia a dia.

Balanço

A artista reconstrói nos rolos cenas que no dia a dia passam despercebidas por nós, mas que, ali nos rolos, ganham um momento só delas. A construção dessas cenas no rolo lembra a montagem dos barcos de madeira nas garrafas de vidro, nesse caso a artista recortou papéis da mesma cor que o rolo e colou as imagens no centro dando a ideia de continuidade entre as cenas e o rolo. 

Pedestres na rua 

Usando da luz e sombra, a artista, consegue dar uma emoção maior as cenas. 

Salão de beleza
 Mais imagens do trabalho da artista no site: http://www.behance.net/Gallery/Paper-cuts-Rolls/241623